Hérnia de disco: sintomas e tratamentos
"Doutor, tenho hérnia de disco, vou precisar operar?" Essa é uma dúvida muito comum, geralmente acompanhada de muito medo. E a boa notícia é que, na grande maioria dos casos, a resposta é não.
O que é a hérnia de disco?
Entre cada vértebra da coluna existe um disco, uma espécie de "amortecedor" com uma parte externa mais firme (o anel fibroso) e um núcleo mais gelatinoso (o núcleo pulposo). Quando esse anel sofre uma fissura, parte do núcleo pode extravasar e pressionar um nervo próximo — é isso que chamamos de hérnia de disco.
Para facilitar o entendimento, imagine o disco como um chiclete recheado do tipo Babaloo. A casca firme por fora representa o anel fibroso, enquanto o recheio líquido interno é o núcleo pulposo. Quando a casca se rompe sob pressão e o recheio vaza, acontece algo idêntico à hérnia: o líquido que extravasou é o material que sai do lugar e passa a comprimir o nervo ao redor.
Vale destacar algo importante: ter uma hérnia de disco na ressonância não significa necessariamente ter sintomas. Muitas pessoas convivem com hérnias sem nunca sentir dor.
Quais são os sintomas da hérnia de disco?
Os sinais mais comuns incluem:
Dor lombar que pode se irradiar para a perna, conhecida como ciática
Formigamento ou dormência no trajeto do nervo afetado
Fraqueza muscular, como dificuldade para levantar na ponta dos pés ou nos calcanhares
Piora da dor ao sentar, tossir ou espirrar
A localização da dor ajuda a identificar qual nervo está comprometido. Por exemplo, hérnias mais baixas na coluna lombar costumam afetar os nervos L5 ou S1, causando dor que desce até o pé.
Toda hérnia de disco precisa de cirurgia?
Não. Esse é talvez o maior mito que encontro no consultório. A maioria dos pacientes melhora com tratamento conservador, que inclui:
Anti-inflamatórios por tempo limitado
Fisioterapia e exercícios orientados
Educação sobre postura e retorno gradual às atividades
Estudos mostram que cerca de 87% dos pacientes apresentam melhora da dor em até 3 meses apenas com tratamento clínico, sem cirurgia. Por isso, a recomendação geral é manter o tratamento conservador por cerca de 6 semanas antes de considerar exames de imagem mais avançados ou intervenções.
Quando a cirurgia é indicada?
Considero a cirurgia quando há:
Fraqueza progressiva ou perda de força importante
Dor incapacitante que não melhora após 6 semanas de tratamento adequado
Síndrome da cauda equina — perda de controle de esfíncteres (urina ou fezes), que é uma emergência e exige avaliação imediata
Nesses casos, a cirurgia costuma aliviar a dor da perna mais rapidamente do que o tratamento conservador, embora, ao final de um ano, os resultados entre os dois caminhos tendam a ser parecidos.
Lembro sempre aos meus pacientes que decidir por uma cirurgia é um processo compartilhado — cabe a mim apresentar as opções com clareza, mas a decisão final considera os valores e o momento de vida de cada um.
Na próxima semana, continuamos falando sobre a coluna vertebral, abordando um tema que costuma ser confundido com a hérnia de disco: "Estenose do canal vertebral — o que é e como tratar?".
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