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Minha história

Do outro lado da cirurgia

Por que um neurocirurgião que já foi paciente trata cada consulta de um jeito diferente.

Dr. João Guttierrez, neurocirurgião, de jaleco
A história completa

De paciente desenganado a neurocirurgião

Uma história de fé, medicina e propósito — contada pelo próprio Dr. João Guttierrez.

O início de uma batalha inesperada

Aos dois anos de idade, minha vida tomou um rumo que desafiou todas as estatísticas médicas. Fui diagnosticado com uma infecção de ouvido, mas, diferente do quadro habitual de uma otite média aguda — que costuma ser viral ou bacteriana —, a causa da minha infecção era rara e grave: o bacilo da tuberculose.

As complicações e a luta pela vida

O quadro se agravou rapidamente para uma meningite tuberculosa, resultando no desenvolvimento de hidrocefalia. Minha infância inicial foi marcada por uma intensa rotina hospitalar e intervenções complexas, incluindo:

  • Múltiplas cirurgias: fui submetido a cirurgias para derivação ventricular externa (DVE) e, posteriormente, para a colocação de uma derivação ventrículo-peritoneal (DVP).
  • Perda auditiva: devido à otite média complicada, perdi a audição no ouvido afetado.
  • Déficit visual: como consequência do tratamento agressivo com antibióticos, sofri intoxicação por etambutol, o que comprometeu severamente minha visão.
  • Hemiparesia: desenvolvi uma diminuição progressiva da força em todo o lado direito do meu corpo.

A situação continuou a se deteriorar até que entrei em um estado de coma persistente.

O milagre que a ciência não explica

Foi neste momento que a minha história chegou ao que parecia ser o seu fim. Os médicos que me assistiam me deram por morto e iniciaram o rigoroso protocolo diagnóstico de morte encefálica. Os testes clínicos confirmavam a suspeita de que não havia mais atividade cerebral.

O último passo antes do atestado final era a realização de um eletroencefalograma. Naquela época, o exame precisava ser feito em outro hospital. Minutos antes de ser colocado no transporte para a realização desse exame, o inexplicável aconteceu: eu despertei do coma.

E o mais impressionante não foi apenas acordar, mas as condições em que retornei. Acordei enxergando perfeitamente, sem prejuízo na audição e movimentando os dois lados do corpo, sem qualquer restrição motora. Como médico, hoje entendo profundamente os limites da nossa ciência, e sei que a medicina não é capaz de explicar o que ocorreu naquele dia. Eu atribuo a minha cura a um milagre divino.

A dor transformada em vocação

Nos anos seguintes a esse episódio, continuei em acompanhamento constante com neurocirurgiões. Cresci acostumado com os corredores, os sons e o ambiente hospitalar. Em vez de trauma, essa vivência me trouxe propósito. O hospital se tornou o berço da minha vocação.

Essa proximidade constante com a especialidade que me salvou serviu de motivação para que eu escolhesse cursar Medicina e, mais tarde, me especializar exatamente em Neurocirurgia.

Minha missão hoje

Hoje, atuo do outro lado da mesa e do bisturi. Sou o neurocirurgião que cuida, opera e busca salvar vidas. No entanto, minha trajetória me ensinou a maior lição que carrego em minha prática diária:

Por mais que a medicina avance, compreendo que sou apenas um instrumento nas mãos de Deus. Nem sempre temos o conhecimento ou a habilidade necessária para restaurar a saúde e a vida de forma perfeita. Esse poder, em sua essência, pertence Àquele que nos criou.

Formação

Trajetória acadêmica e credenciais

01

Medicina

PUC-SP, campus Sorocaba.

02

Residência em Neurocirurgia

Hospital Prof. Dr. Alípio Correa Netto, da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.

03

Titular SBN

Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

04

Istanbul Yasargil Microneurosurgery Course

Aprofundamento em anastomoses microvasculares.

Idiomas de atendimento

Português, inglês e espanhol, para atender também a comunidade internacional de Alphaville.

Reconheceu algum desses sinais em você ou em alguém da família?